Como surgiu a Assessoria de Imprensa?
:: Kahtia Elisa Pinto ::
Originalmente, as fontes de informação não eram treinadas para desempenhar esse papel, eram funcionários públicos, políticos, diretores de empresas e viajantes (até meados deste século, repórteres eram colocados nos portos, aeroportos e estações ferroviárias para entrevistar os passageiros que vinham da Europa, da América do Norte, de países vizinhos ou, mesmo, de outras regiões brasileiras) e pessoas em geral envolvidas em algum evento de interesse público.
Após a Segunda Guerra Mundial, com a difusão das assessorias de imprensa, os contatos com instituições, empresas e, mesmo, pessoas notáveis passaram a ser feitos por via profissional - ou, pelo menos, com a intermediação de um profissional.
A experiência brasileira mostrou que antes da existência de assessorias, repartições e empresas de serviços públicos costumavam selecionar os repórteres a quem forneciam informações. O resultado era uma situação em que salas de imprensa e repórteres amigos funcionavam como filtros políticos de informação, sem deixar margem a que profissionais "não acreditados" penetrassem em suas áreas de atuação.
O surgimento das assessorias contribuiu para a profissionalização do setor de informação pública, com delimitação clara de posições, tanto do lado de quem fornece a informação quanto de quem a coleta. Ficou mais nítida a posição do repórter como agente do público, sujeito, embora, ao contexto das relações econômicas e de poder de que nada escapa na sociedade - certamente não as empresas jornalísticas.